Amazônia perdeu mais de 200 km² de florestas nos últimos meses de 2011

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Agência Brasil
Publicação: 02/02/2012 19:24 Atualização:
Brasília – A Amazônia perdeu 207,6 quilômetros quadrados (km²) de floresta nos meses de novembro e dezembro de 2011. Os números são do Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter), divulgados hoje (2) pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Nos meses da estação chuvosa na Amazônia, o Inpe agrupa os alertas em uma base bimestral ou trimestral, para melhorar a qualidade da amostragem.

Em novembro, os satélites observaram 133 km² de novos desmatamentos e, em dezembro, mais 74,6 km². Nos mesmos meses de 2010, o Inpe havia registrado 113,61 km² e 21,31 km² de derrubadas, respectivamente. No entanto, por causa das diferenças nas condições meteorológicas, o instituto evita comparações entre os períodos. Em 2011, as nuvens cobriram 47% da Amazônia em novembro e 44% em dezembro, o que dificulta o registro dos satélites.

Considerando os dois últimos meses do ano, o Pará liderou o rol do desmatamento no período, com 58,86 km² a menos de florestas. Mato Groso perdeu 53,8 km² de mata nativa, seguido por Roraima (29,24 km²).

O Deter, que revela dados mensais de desmatamento, monitora áreas com mais de 25 hectares e serve para orientar a fiscalização ambiental. Além do corte raso (desmatamento total), o sistema registra a degradação progressiva da floresta.

PIONEIRA DA INCLUSÃO CULTURAL

Paulo Kramer
Cientista político

A vida e a obra de Conceição Moreira Sales — a Conceição da Biblioteca, como muitos a chamavam carinhosamente — são maiores que a sua morte súbita e prematura. Durante seus quase 30 anos na direção da Biblioteca Demonstrativa de Brasília (BDB/Fundação Biblioteca Nacional), essa bibliotecária, servidora pública e fomentadora cultural exemplar cultivou, em plena W3-Sul, um oásis que acolheu e deu de beber a todos os sedentos de saber e de beleza desta capital de um país que Oswaldo Aranha, em 1933, definira como deserto de homens e ideias.
Quando Brasília ainda era pouco mais que uma adolescente sem história, Conceição subverteu a visão então dominante de biblioteca como ilha repleta de livros parados nas estantes, cercada de silêncio por todos os lados, e transformou a BDB em um organismo vivo, indispensável, graças à interação permanente com o pulsar da cidade. Não conheço nenhum escritor, artista plástico ou mesmo músico brasiliense que, no início da carreira, não tenha recebido da BDB, por intermédio de Conceição, um estímulo e, sobretudo, um espaço para levar ao público as primícias do seu trabalho, tantas foram as noites de autógrafos, as exposições e as sessões da Bibliomúsica que ela patrocinou.
Se hoje todo o mundo fala em inclusão cultural, vale lembrar que Conceição sempre a praticou, arregimentando professores voluntários ou quaisquer outros cidadãos — e principalmente cidadãs –, com tempo disponível e compromisso com a educação, para oferecer plantões de reforço e esclarecimento de dúvidas a alunos de todas as séries, principalmente os que estudam nas nossas detonadas escolas públicas. Estudantes e concurseiros pobres, filhos de famílias numerosas, sem um cantinho tranquilo em casa para ler e fazer suas tarefas, ali encontram paz, conforto e alimentação a preço módico, pois, no prédio da BDB, ela criou uma cantina que funciona até tarde da noite.
Sua liderança proativa conquistava a fidelidade e a cooperação de sua pequena equipe, bem como o entusiasmo e o carinho de uma multidão de admiradores, que se tornavam seus amigos por toda vida. Que o digam, por exemplo, as adoráveis senhorinhas do programa de atualização feminina, mais uma iniciativa de Conceição, que há 25 anos se reúnem, religiosamente, nas tardes de quarta-feira para ouvir palestras sobre os temas mais quentes da agenda nacional e internacional e, depois, crivar de perguntas inteligentes e oportunas os expositores convidados. Tive a honra de ministrar conferências anuais sobre conjuntura política e relações Executivo-Legislativo a esse simpático e animado grupo.
Como ninguém, ela conhecia (e sofria com) o descaso, o imobilismo e a hipocrisia demagógica que as autoridades governamentais costumam votar à leitura, à arte, numa palavra, à cultura no Brasil. Mas isso, ao invés de desanimá-la, parecia incendiar o seu empreendedorismo e a sua criatividade, levando-a a iniciar e consolidar parcerias com todas as esferas e níveis do Estado e com os mais variados setores da sociedade, aí incluídos com destaque os meios de comunicação, a fim de promover os eventos e a modernização de processos de trabalho (como a digitalização de acervos) que jamais cabiam no magro orçamento público).
Seu legado revela grandeza cívica e humana, mas sua ausência sublinha quão precária continua sendo a institucionalidade da ação cultural em Brasília e em todo o Brasil: quando um ator da sua importância sai para sempre de cena, sua herança é ameaçada pela acomodacionismo, pela pasmaceira burocrática, pelo carreirismo miúdo dos que gastam tanto tempo e tanta energia lutando para ocupar cargos que nem lhes passa pela cabeça desempenhar a missão e preencher as expectativas que deveriam estar sempre associadas à concepção de serviço público como serviço ao público. Como ensina Max Weber, quando o carisma se retira, o que fica é a rotina.
A pior das traições que nós, amigos, admiradores e beneficiários da obra de Conceição, podemos cometer contra esse legado é abandoná-lo e esquecê-lo.
Agora, entre as inúmeras lições de humanismo, ética, saber, beleza e cidadania que ela, generosa e incansavelmente, nos transmitiu, precisamos resgatar a que ensina a triunfar das dificuldades mobilizando as forças mágicas da cooperação e da participação. Só assim honraremos de fato a sua memória e preservaremos para os brasilienses das próximas gerações o mundo que Conceição Moreira Sales criou.

Assistam ao documentário A História de Gabriela e o Movimento Gabriela Sou da Paz

Dia: 22/01/2012 (próximo domingo)
Hora: 06:15
Canal Brasil, 66 da NET

O documentário discute as diversas faces da violência urbana, relembrando o assassinato de Gabriela Prado, em 2003. Parentes de vítimas, antropólogos, advogados e policiais expõem suas opiniões sobre segurança pública e a importância quanto à mobilização da sociedade.
É realmente um maravilhoso documentário produzido e dirigido por Marco Moreira tendo sido premiado em festivais de curta metragem.

Mapa traça as cinco cidades com as maiores taxas de homicídio do país

Todas superam o índice de 100 assassinatos por 100 mil habitantes. A recomendação da OMS é de que o número não passe de 10

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Renata Mariz
Publicação: 15/01/2012 08:00 Atualização:

Embora a intensidade da violência brasileira fique explícita no índice de 26,2 assassinatos por 100 mil habitantes, mais que o dobro do limite de 10 considerado aceitável pela Organização Mundial da Saúde, o indicador é incapaz de revelar toda a complexidade da matança no país.

Desconcentração econômica para o interior, regiões de fronteira em que o tráfico e o contrabando brigam por território, práticas de extermínio em áreas de desmatamento e municípios vitimados por um turismo predatório. Nas cinco cidades apontadas no Mapa da Violência 2012 como as piores do Brasil, essas e outras características estão presentes. Em comum, Simões Filho (BA), Campina Grande do Sul (PR), Marabá (PA), Guaíra (PR) e Porto Seguro (BA) têm taxas absurdas de homicídio que superam 100 mortos a cada 100 mil moradores. As razões para isso, entretanto, diferem. Especialistas e autoridades locais de segurança pública, ao analisarem os cinco municípios, fazem também uma radiografia das diferentes facetas da criminalidade no território nacional.

Soldados do tráfico
Na esteira da descentralização econômica, iniciada na década de 1990, quando indústrias e empresas deixam o Sudeste rumo a outras regiões e a cidades de médio porte, os municípios do entorno de diversas capitais, sobretudo no Nordeste, experimentam a chegada do progresso, com todos os pontos positivos e negativos. Em Simões Filho (BA), primeiro lugar no ranking do Mapa da Violência, não foi diferente. Com absurdas 146 mortes por 100 mil habitantes, o município fica a 30km de Salvador. Lá, a violência está ligada ao uso e ao tráfico de entorpecentes. “Não temos dúvidas de que a droga é o pano de fundo do problema. Como temos uma área rural grande, quando a polícia em Salvador aperta, os traficantes vêm para cá. Há trilhas pela mata que dão em outras cidades”, diz Antonio Fernando do Carmo, delegado titular da 22ª Delegacia de Polícia de Simões Filho.

Saiba mais…
Marabá (PA), terceira cidade mais violenta, sofre com crimes encomendados Simões Filho (BA) é o município com maior número de homicídios dos país Autoridades dos municípios mais violentos contestam o resultado do estudo
Periferias
Segundo ele, a criminalidade no município tem participação maciça de jovens. “Há muitos garotos que são viciados e cooptados pelo tráfico, tornando-se soldados”, diz. A atuação, porém, ocorre nas áreas mais periféricas da cidade. No centro, câmeras reduziram a ocorrência de crimes. Embora não negue o problema “grave” da violência em Simões Filho, o delegado contesta o lugar de município brasileiro mais violento. “Como temos um hospital grande, muitos baleados acabam vindo para cá. Quando morrem, o registro acaba sendo feito aqui. Outro problema está na desova de corpos.” Pitanguinha é um resíduo de Mata Atlântica em Simões Filho em que cadáveres são encontrados frequentemente.

O mesmo motivo é alegado por Rubens Recalcatti, chefe da Delegacia de Homicídios em Curitiba. Ele ressalta que, por ficar a apenas 30km da capital e na beira da BR-116, Campina Grande do Sul (PR) acaba servindo como ponto de despacho de corpos. Mas Recalcatti não desconversa sobre os altos índices de homicídio, 130 por 100 mil habitantes, que coloca o município, parte da Região Metropolitana curitibana, em segundo lugar no ranking. As drogas, mais uma vez, são as protagonistas. “O usuário, talvez por causa do crack, está morrendo exageradamente. Ou pelo desgaste que a própria substância provoca ou assassinado.” O restante dos homicídios, de acordo com o delegado, está relacionado a desavenças pessoais, vingança ou crimes passionais.