Severino Francisco
Estudantes da Faculdade de Agronomia e Veterinária da UnB brindaram o país com um melancólico espetáculo de boçalidade ao promover um trote em que algumas calouras chafurdavam na lama e outras eram obrigadas a lamber uma lingüiça lambuzada de leite condensado. Ao redor, os veteranos e veteranas se divertiam achando tudo muito engraçado. O efeito da cena se torna ainda mais constrangedor se a confrontarmos com as imagens de jovens de todo o país envolvidos em uma ampla e tocante mobilização de solidariedade visando arrecadar alimentos e roupas para as vítimas das enchentes na região serrana do Rio de Janeiro.
Em maio no ano passado, alunos da engenharia civil passaram pelos corredores da UnB gritando as seguiintes palavras de ordem de provocação aos estudantes de arquitetura: “Arquiteto bichinha, só brinca de casinha/1,2,3,4,5, mil/Trote solidário vai pra p…” A argumentação de que tudo não passa de uma brincadeira não resiste a um rápido exame da história do trote, que compõe uma triste memória de agressões, traumas, humilhações e mortes. Consentido ou não, esse ritual tem um caráter truculento, desqualificável, aviltante e incompatível com uma instituição de ensino superior.











