O desfile das lembranças
“Maria Cláudia não estámais entre nós com seusorriso encantador, maspermanecerá em nossos corações ememória”. É com essa afirmaçãocheia de esperança que a famíliaDel’Isola e os amigos mantêm ealimentam o movimento MariaCláudia pela Paz.Ontem foi realizado no InstitutoNossa Senhora da Piedade, no LagoSul, um desfile beneficente com bingoorganizado pelo movimento. Oprincipal objetivo foi angariar recursospara a reforma de dois refeitóriosda instituição que serviucomo sede do evento e um espaço dacreche Santo Aníbal, localizada noPolo de Moda do Guará.ADESÃO TOTALCristina Del’Isola, a mãe de MariaCláudia, fez as honras comomestre de cerimônias durante todo oevento. “Nesta segunda edição donosso desfile anual, uma mensagemde amor precisa ser lembrada”, afirmo.”Qualquer luto pode sim, sertransformado em luta”, completou aeducadora no discurso que deu inícioàs atividades.A expectativa de receber 400 pessoasfoi facilmente alcançada. Todosos convites foram vendidos e dentreos presentes estavam o deputadofederal Laerte Bessa (PMDB-DF),Wilma Pereira, a mãe do vice-governadorPaulo Octávio e a socialitebrasiliense Natanry Osório.Toda a comida e bebida servidasdurante a festa foram doadas porempresários da cidade solidários àluta dos Del’Isola. Os 18 prêmiossorteados durante o bingo foramadquiridos da mesma forma. Dentreeles estavam obras de arte de artistaslocais, bijuterias finas, jantares paracasais em restaurantes e pacotes defim de semana em hotéis de luxo.As roupas desfiladas foram segmentadasem coleções casuais, defesta e jeans. Jovens e senhoras desfilaramas peças.FORÇA COLETIVACriado no dia 8 de março de2005, logo após a morte da estudante,o movimento Maria Cláudia pelaPaz reúne voluntários engajados empraticar todo tipo de ação solidáriasempre cheios de vontade de fazer obem ao próximo. Transformado emuma Organização da Sociedade Civilde Interesse Público (Oscip) em 2007,o movimento é coordenado por MartaPanuzzo, mas acompanhado deperto pelos pais da jovem.FOTOS:ANDRESSA ANHOLETEDesfile de modelos no Instituto Maria Cláudia da Paz serviu para angariar fundos para obras sociaisA jovem Maria CláudiaSiqueira Del’Isola, aTatinha, teve sua vidaencerrada em 9 dedezembro de 2004por um violento crimeque chocou a comunidadebrasiliense. Comapenas 19 anos, a estudantecursava as faculdadesde pedagogia e psicologia,e morava com ospais, o educadorMarco Antônio, apsicopedagoga CristinaMaria Del’Isola e a irmãmais velha, Maria Fernanda,no Lago Sul.Ao longo de três dias, osDel’Isola acreditaram que amoça havia desaparecidoe seu paradeiro eradesconhecido. Foi apenas em 12de dezembro que a verdade veioà tona. A jovem havia sidovítima do caseiro Bernardino doEspírito Santo Filho, 35 anos, eda mulher dele, a cozinheiraAdriana de Jesus Santos, 26anos.Em 2007, os réus foramlevados a júri popular.Bernardino foi condenado a65 anos de prisão e Adriana,a 58 anos de detenção.Marco Antônio, pai de Maria Cláudia, ao lado da filha Maria Fernanda: luto da esperança e saudades”A ideia de criar esse grupo foi amaneira que minha família e osamigos da Maria Cláudia encontraramde reunir forças. Hoje sãorealizadas inúmeras ações ao longodo ano, sendo duas de grande porte”,explicou o pai da jovem, o educadorMarco Antônio Del’Isola.Todo mês, sempre no dia 9voluntários e familiares se reúnemna residência da família paraorar em um altar criado próximoao jardim de inverno onde ocorpo de Maria Cláudia foi tristementeencontrado.
Sarah Dall’Ortosarah. campo@ jornaldebrasilia. com. br
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