Superação pela caridade
Quatro anos após a morte da filha, família Del’Isola segue firme na realização de ações solidárias com o Movimento Maria Cláudia Pela Paz
| Ronaldo de Oliveira/CB/D.A Press |
| Cristina Del’Isola (d) e integrantes do movimento com crianças de instituto no Lago Sul: busca por voluntários |
Transformar a dor em solidariedade não é tarefa das mais fáceis. Mas a família de Maria Cláudia Del’Isola (ver Memória) encontrou na caridade um caminho para superar a tragédia e a revolta. A menina, à época com 19 anos, foi assassinada e violentada, em 2004, pelo caseiro e pela empregada da casa onde vivia, no Lago Sul. No ano seguinte, os parentes formaram o Movimento Maria Cláudia Pela Paz. A intenção é incentivar jovens carentes a valorizar a própria vida e a dos outros.
O projeto mais recente do grupo consiste em auxiliar o Instituto Nossa Senhora da Piedade, na QI 5, Chácara 7, Lago Sul. Neste domingo, a partir das 17h, o grupo realiza um desfile beneficente no local para angariar o dinheiro da reforma da casa. O telhado do espaço onde funciona o Instituto Nossa Senhora da Piedade está caindo aos pedaços. O refeitório não comporta todos os moradores. A instituição existe desde 1961. Um grupo de freiras ganhou o terreno do governo, à época da fundação de Brasília, e o casarão ergueu-se por meio de doações.
Com o passar do tempo, ficou difícil manter o lar que cuidava de meninos e meninas menores de 18 anos em tempo integral, em regime de internato. “As irmãs não têm ajuda do governo e vivem de doações, que não são muitas, mesmo com a vizinhança tão privilegiada”, relata a mãe de Maria Cláudia, Cristina Del’Isola.
Atualmente, 120 crianças, de quatro a 14 anos, moradoras de cidades como Itapoã e São Sebastião, frequentam o espaço em turnos contrários ao da escola. A limpeza, a cozinha, cuidados com os garotos na hora do banho, tudo fica a cargo de três religiosas e duas voluntárias. “O mundo tem muitas tristezas, mas também possibilidade de mudança. Queremos mostrar a esses seres humanos que eles podem ser pessoas melhores, mesmo tendo uma vida complicada”, explica Cristina.
O evento de domingo deve servir para recrutar colaboradores para as ações sociais do movimento. A maior parte dos 300 convites já foi vendida. O ingresso custa R$ 20, incluindo lanche. Um bingo deve animar a tarde. As modelos que vão desfilar são manequins e mulheres comuns, todas voluntárias. “Recebemos colares e roupas de estilistas conhecidos em Brasília. Vamos vender tudo para pagar as obras do instituto”, diz Cristina.
O local fica a uma quadra de onde a psicopedagoga Cristina Maria e o educador Marco Antônio, pais de Maria Cláudia, e Maria Fernanda Del’Isola, a irmã mais velha, vivem até hoje. A casa da família foi o cenário para o crime bárbaro. Mas eles optaram por não se mudar e construíram um oratório no espaço perto de onde o corpo da menina foi encontrado, em 9 de dezembro de 2004. “Todo dia 9, nos reunimos na minha casa para rezar. Não é uma forma de lamúria, mas sim de fortalecimento. Ajudar ao próximo me fortalece para enfrentar o dia a dia”, explica Cristina.
Além do auxílio financeiro, o Movimento Maria Cláudia Pela Paz precisa de mão de obra voluntária. Atualmente, duas professoras dão aula de informática e artes para os jovens. Porém, é necessário mais gente para cuidar dos hóspedes e ajudar na manutenção das tarefas da casa.
Paz
Amigos dos Del’Isola e membros da comunidade se reuniram para formar o Movimento Maria Cláudia Pela Paz, em 8 de março de 2005. Na oportunidade, os integrantes entregaram aos presidentes do Senado e da Câmara um documento exigindo medidas para acabar com a violência. “Aprendi que as pessoas não precisam viver uma tragédia para enxergar quem está bem perto. Muitas vezes, deixa-se de lado a essência humana. É isso que queremos evitar”, esclarece Cristina. Hoje, o grupo tem 500 membros e pretende se tornar uma associação.
COMO AJUDAR
Para comprar o convite do desfile, contribuir ou participar do Movimento Maria Cláudia Pela Paz, ligue: 9966-3483 (falar com Marta)
Comprei uma boneca e gostaria de doá-la para uma das crianças que vocês assistem. Att. Márcia