Homem é indiciado por estuprar estudante em saída de faculdade no DF


Vítima de 23 anos estava a caminho do Metrô na Asa Sul; crime foi em fevereiro. Suspeito, de 36 anos, cumpria prisão domiciliar e foi detido dois meses depois.

Polícia Civil do Distrito Federal indiciou, por estupro, o auxiliar de serviços gerais de 36 anos suspeito de abusar de uma estudante de 23 anos na Asa Sul, em fevereiro deste ano. O nome do homem não foi divulgado.

Segundo as investigações, a vítima tinha acabado de sair da faculdade, e se dirigia à estação 112 Sul do Metrô quando foi abordada. Imagens de câmeras de segurança de um prédio próximo flagraram o momento em que a jovem saiu correndo, tentando fugir do homem.

Estudante é estuprada após sair de faculdade na Asa Sul, em Brasília
O suspeito foi identificado e detido em abril – quase dois meses após o crime. Segundo a Polícia CIvil, ele cumpria prisão domiciliar e já tinha sido condenado a 25 anos por tentativa de homicídio, roubo e atentado violento ao pudor.

Nesse terceiro crime, ele foi acusado de praticar sexo anal com uma menina de 9 anos. Na época, a conduta não era classificada como estupro.

Coleta de provas
As investigações avançaram durante os 60 dias em que o suspeito ficou preso. Como o estupro é considerado crime hediondo, a prisão temporária é de 30 dias, renováveis por igual período. O prazo terminaria neste domingo (17), mas a Justiça autorizou a conversão da prisão temporária em preventiva – esta, por tempo indeterminado.

Clique no link  para ver o vídeo. https://globoplay.globo.com/v/6521651/

As provas coletadas no período serviram para embasar o indiciamento por estupro – que será analisado pelo Ministério Público e, se confirmado, pela Justiça.

Segundo a chefe da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam), Sandra Gomes, os indícios mais fortes vieram do rastreamento do celular da vítima, roubado pelo homem no dia do estupro. O aparelho chegou a ser revendido para outras duas pessoas, que vão responder por receptação.

Sandra classifica o inquérito como “um dos mais complexos já elucidados” na Deam. A investigação ficou mais difícil porque não havia imagens do local do crime, e porque foi preciso acionar diversas companhias telefônicas para concluir o rastreamento.

Em buscas na casa do suspeito, no Núcleo Bandeirante, equipes encontraram objetos supostamente usados para prática de roubos. O arsenal incluía facas com a empunhadura enfaixada – uma técnica que evita marcas de impressão digital.

Se o indiciamento do estupro for seguido pelo Ministério Público e recebido pela Justiça, o homem vira réu pelo crime e pode ser condenado a até 20 anos de prisão.

Outros casos

Segundo a delegada, o homem tinha uma forma específica de abordar as vítimas: chegava ameaçando com uma faca ou estilete, exigia que ficassem de costas e usava a roupa delas para vendá-las. Ele agia sempre em lugares com mato alto, e no escuro.

Com base nesse “modus operandi”, os policiais conseguiram identificar outras duas vítimas recentes do homem.

“Um desses casos foi uma tentativa de estupro, e o outro, um estupro consumado”, diz Sandra. Esses casos são investigados separadamente e, se houver indiciamento, a pena prevista pode ser ainda maior.

Leia mais notícias sobre a região no G1 DF.

Metade dos homicídios em 2016 ocorreu em apenas 2% dos municípios

Apesar de pequenos, os números são superiores aos de 2015, quando 109 localidades respondiam por metade das mortes violentas no país

Foto: HUGO BARRETO/METRÓPOLES

Metade dos homicídios registrados em 2016 ocorreram em apenas 123 cidades brasileiras, aponta o Atlas da Violência 2018 – Políticas Públicas e Retratos dos Municípios Brasileiros, do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) e Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

Juntos, esses municípios representam apenas 2,2% do total de cidades brasileiras. Apesar de pequenos, os números são superiores aos de 2015, quando 109 localidades respondiam por metade das mortes violentas no país. Fato que, para os pesquisadores, indica a propagação da criminalidade para cidades menores, processo que vem sendo observado por especialistas desde meados dos anos 2000.

Entre as cidades com mais de 100 mil habitantes, as mais violentas se concentram nas regiões Norte e Nordeste. No entanto, o ranking dos 309 municípios com maior taxa de mortalidade é encabeçado por Queimados, no Rio de Janeiro, com 134,9 homicídios por grupo de 100 mil pessoas.
As quatro cidades seguintes com os maiores índices de letalidade ficam na Bahia. Com uma taxa de 124,3 homicídios por grupo de 100 mil habitantes em 2016, Eunápolis ocupa o segundo lugar entre as mais violentas. Em seguida vem Simões Filho (107,7 homicídios/100 mil habitantes); Porto Seguro (101,7 homicídios/100 mil habitantes) e Lauro de Freitas, com 99,2 homicídios/100 mil habitantes.

Já a relação das cidades com a menor taxa média de homicídios em 2016 começa com Brusque (SC), onde foi registrada uma taxa média de 4,8 homicídios por 100 mil habitantes. Logo em seguida ficaram Atibaia (SP) (5,1); Jaraguá do Sul (SC) (5,4); Tatuí (SP) (5,9) e Varginha (SP) (6,7).

Capitais

Entre as capitais, Belém assumiu o título de mais violenta de 2016, com uma taxa média de 76,1 homicídios por grupo de 100 mil habitantes. Pelos dados do Atlas da Violência de 2015, a capital paraense era a quarta mais perigosa, com 61,8 homicídios/100 mil moradores. Nesta edição do relatório, Belém é seguida por Aracaju (73 homicídios/100 mil habitantes); Natal (62,7 homicídios/100 mil habitantes); Rio Branco (62,6 homicídios/100 mil habitantes) e Salvador (57,8 homicídios/100 mil habitantes).

Alvo de uma intervenção federal na segurança pública de todo o estado desde fevereiro deste ano, a capital fluminense terminou 2016 entre as oito capitais com as menores taxas de mortes violentas, com 25,8 óbitos por 100 mil habitantes. Este grupo é encabeçado por São Paulo (10,1 homicídios); Florianópolis (17,2) e Vitória (17,2); Brasília (25,5); Campo Grande (20,3); Curitiba (29,4) e Belo Horizonte (24,8).

No início do mês, o Atlas da Violência já tinha apontado que o estado do Rio de Janeiro está entre as seis unidades da federação que têm conseguido reduzir as taxas de homicídios, junto com São Paulo, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Pernambuco e Paraná. No documento, os pesquisadores apontam que a melhora dos índices paulistas se deve, em parte, à preponderância de uma organização criminosa sobre as demais, o que permitiria que seus integrantes controlassem o uso da violência, evitando disputas letais.

Fonte: Metrópoles

Racionamento de água chega ao fim.no DF


Um ano e cinco meses depois de ter sido imposto à população, chega ao fim o racionamento de água no Distrito Federal. A partir desta sexta-feira (15/6), os consumidores não enfrentarão mais o rodízio, no qual, a cada seis dias, ficavam 24 horas desabastecidos.

As últimas regiões que ficaram sem água foram: Ceilândia Leste, Park Way, Águas Claras, Núcleo Bandeirante, Samambaia, Asa Sul e Jardins Mangueiral. Durante o período de restrição hídrica, o nível do Descoberto, principal reservatório do DF, responsável por abastecer 60% da população, subiu de 5,3% para 93,9%.

Pré-candidato à reeleição no Palácio do Buriti, o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) explicou que a decisão foi possível devido à redução do consumo de água estimada em 13% e à inauguração de novas obras de captação no Lago Paranoá e no Córrego do Bananal.

De acordo com Rollemberg, nas próximas duas décadas, não existe possibilidade de novo racionamento no DF. “Nós não superamos a crise hídrica somente em 2018. Com essas obras e a Barragem de Corumbá, que ficará pronta ainda este ano, estamos resolvendo a falta de água no DF por pelo menos mais 20 anos”, assegurou o chefe do Executivo.

Captação reduz
Antes de começar o racionamento, a Companhia de Saneamento Ambiental do DF (Caesb) tinha autorização para captar 4.900 l/s. Com a restrição, esse número caiu para 3.300 l/s. A partir desta sexta (15), o valor passa para 4.300 l/s. Segundo o governo, a queda no volume não trará prejuízo para a população.

A diferença virá, segundo o Executivo, da redução do consumo provocada pela economia que os brasilienses fizeram, devido ao racionamento, e das captações do Paranoá e Bananal para abastecer regiões cuja água vinha da Barragem do Descoberto.

Mais de um ano depois do fim da tarifa de contingência, que sobretaxou a conta de água dos brasilienses em até 40%, a Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento do Básico do Distrito Federal (Adasa) autorizou a Caesb a utilizar R$ 6,1 milhões em obras para melhorar o sistema de abastecimento. A decisão foi publicada no Diário Oficial do DF nesta quinta-feira (14) e consta na Resolução n° 14, de 13 de junho de 2018.

De acordo com o governo, os recursos serão destinados à interligação do sistema Torto-Santa Maria ao de Sobradinho-Planaltina, com implantação de uma subadutora (R$ 4,5 milhões). Vão ainda para adequações e interligação na estação elevatória Lago Norte 2 (R$ 400 mil). A reserva para custos adicionais será de R$ 1,2 milhão.

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34ª Feira Internacional do Livro começa hoje

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34ª Feira Internacional do Livro começa hoje

Os jovens leitores são o foco da 34ª Feira Internacional do Livro de Brasília, que começa hoje e vai até o dia 17

Preparativos para a abertura da Feira do Livro, que tem uma agenda cultural para toda a família
(foto: Luis Nova/Esp. CB/D.A Press)

Formar público leitor e estimular a leitura entre as crianças está na linha de mira da 34ª Feira Internacional do Livro de Brasília, que tem início hoje e segue até 17 de junho no Pátio Brasil Shopping. Com o tema Literatura infantil: a invenção do sonho. Vamos brincar de inventar? e organizada pela Câmara do Livro do Distrito Federal (CLDF), a feira tem curadoria de Maurício Melo Júnior, Nilva Belo de Morais e Fernanda de Oliveira e foco nos jovens leitores.

Contação de histórias e eventos voltados para as crianças estão presentes na programação durante todos os dias da feira. “A partir daí, a gente quer discutir a eficácia da literatura na formação de leitores. Até que ponto a gente está fazendo uma literatura que reflete os desejos de leitura dessa nossa geração, que é formada pelas urgências, pela cultura das mídias sociais? O que a gente pode fazer para atingir essas crianças?”, diz Melo Júnior.

A expectativa da Câmara do Livro é de que 200 mil pessoas passem pelo local durante os 10 dias de feira. Nesta edição, haverá três autores homenageados — Ana Maria Machado, Luci Watanabe Guimarães e Milton Hatoum —, mas dois não poderão comparecer. Nascida em Divinópolis (MG), Watanabe, a única presente dos homenageados, é autora de mais de 12 títulos destinados às crianças e adolescentes.

Segundo o curador, pensar na literatura como veículo da formação de leitores em uma feira de livro pode parecer óbvio, mas nem sempre é. “Tenho visto muita feira que não discute literatura”, garante.

Entre os destaques da programação para jovens leitores está Viagens da caixa mágica, espetáculo criado pelo ator Lázaro Ramos. Autor de dois livros infantis — A velha sentada e Caderno de rimas do João —, Ramos conta histórias relacionadas à cultura afro e fala do imaginário desse universo em 10 músicas concebidas com frases extraídas de seus próprios livros.

Autores de literatura infantojuvenil de Brasília também têm lugar especial na programação. Roger Mello, ganhador do prêmio Hans Christian Andersen, vem falar sobre a ilustração, e Stella Maris, autora de mais de 42 livros, participa de mesa sobre a leitura. Fazer do ato de ler uma brincadeira é um dos temas de Alessandra Roscoe e Tino Freitas, que fala sobre o uso da palavra como se fosse um brinquedo. Dad Squarisi, editora de Opiniãodo Correio Braziliense, vai ministrar a aula-espetáculo Os deuses e a língua portuguesa, uma palestra divertida sobre a ligação entre a mitologia e a língua.

Para Fernanda Oliveira, responsável pela curadoria infantojuvenil da feira, o encontro das crianças com os autores é fundamental para estimular a leitura, por isso ela incluiu desde sessões de autógrafos até bate-papos organizados para os pequenos. “Isso instiga a criança a despertar o interesse pela leitura”, acredita. “O livro fomenta a imaginação, base fundamental para qualquer atividade que a criança vá desenvolver, englobando todas as profissões em sua maturidade. Além de a leitura oferecer uma maior bagagem cultural, a criança que lê fala melhor, escreve melhor e pensa com mais fluidez e clareza.”

Antônio Torres, membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), e Ignácio de Loyola Brandão, ganhador do Prêmio São Paulo de Literatura e do Jabuti, falam, respectivamente, sobre o romance histórico e os novos caminhos da crônica. Cristóvão Tezza divide mesa com Henrique Rodrigues e Pedro Almeida para tratar do impacto dos prêmios literários na carreira do escritor.

A nova prosa brasileira e suas características é tema de mesa que reúne a brasiliense Paulliny Gualberto, autora de Allegro ma non troppo, Maurício de Almeida, vencedor do Prêmio Sesc.

34ª Feira Internacional do Livro de Brasília

Visitação a partir de hoje, das 9h às 20h, no Pátio Brasil Shopping. Até 17 de junho.

Maria Eduarda: vítima da violência que não dá trégua em Ceilândia

Segundo vizinhos da menina de 5 anos, tiroteios são comuns na região. Há dois meses, a casa da criança já tinha sido alvo de disparos


O ataque à casa da família de Maria Eduarda Rodrigues de Amorim, 5 anos, ocorrido na noite dessa segunda-feira (21/5) em Ceilândia, é o segundo em dois meses. Só que, desta vez, a menina morreu baleada enquanto passava no quintal na intenção de pegar milho de pipoca para a tia. O alvo dos disparos, segundo os familiares, seria um irmão da vítima, mas não o que foi baleado. De acordo com vizinhos, tiroteios são comuns na região.

Maria Eduarda levou três tiros – na cabeça, no tórax e na nádega. Ao ser atingida, caiu no corredor da casa. Foi levada por parentes ao Hospital Regional de Ceilândia (HRC), mas chegou à unidade de saúde sem os sinais vitais.

A menina, que ia completar seis anos em agosto, morava com a família nos fundos da casa da avó, na QNO 18, Conjunto 36, em Ceilândia. O irmão, Marcos Rodrigues de Amorim, 19, entrava no quintal na noite de segunda quando dois homens chegaram em um Voyage preto e fizeram vários disparos. O rapaz levou um tiro no joelho. Ele está internado no HRC, mas não corre risco de morte.

O auxiliar administrativo Alan Jones Ferreira de Carvalho, 36, tio das vítimas, acredita que o alvo não era Marcos e, sim, o irmão dele, 15, que teria envolvimento com drogas. “Tentaram matá-lo há cerca de dois meses, aqui mesmo no quintal. Deram vários tiros, mas felizmente ninguém saiu ferido. Depois disso, ele foi embora e não sabemos onde está”, afirmou. As marcas de balas estão nas janelas e no portão da casa. A Polícia Civil não deu nenhuma informação sobre o caso nesta terça (22).

Rastros da violência
O muro da Escola Classe 56, onde a menina estudava, tem pichações que mostram a guerra de gangues na região. Segundo a diretora do colégio, Marlene de Oliveira, os educadores da instituição de ensino estão fazendo um trabalho com as crianças sobre a cultura da paz e da não violência.

Com base no relato de uma moradora da quadra onde a menina foi assassinada, a dona de casa Filomena Santiago, 59, os tiroteios são constantes na região. “Tenho vontade de ir embora em virtude da violência. Morro de medo por conta das minhas netas e filhas. Os bandidos estão na rua, matando e roubando. Nós, que somos honestos, ficamos trancados dentro de casa. Não temos sossego”, desabafou.

Conforme também contou o motorista Cláudio Miranda, 46, este não foi o primeiro tiroteio na quadra. “A minha casa já havia sido atingida em um dos casos. Fico com medo por conta das minhas duas filhas. O complicado é que a maioria dos criminosos são menores, então não existe punição. A Justiça manda soltar. É preciso mudar as leis”, pontua.

A aposentada Maria Cristina de Araújo, 54, garante ter ouvido vários tiros na região há umas duas semanas. “Era meio-dia e fizeram vários disparos. A gente vive com medo. Raramente a polícia passa por aqui. A impressão é de que eles têm medo dos bandidos, pois andam mais armados do que os próprios policiais”, destacou.

Clima de tristeza
Na quadra onde a menina morava, o clima é de tristeza e revolta. Assim como na escola. Na quarta (23), as aulas serão suspensas para que todos possam participar do enterro da criança. “Faremos cartazes em homenagem à Maria Eduarda pedindo paz. Ela cursava o segundo período da educação infantil, anterior ao primeiro ano. Era uma aluna tranquila, participativa e muito querida”, disse a diretora da instituição de ensino, Marlene de Oliveira.

Ela mostra um dos últimos trabalhos da garota no colégio, uma homenagem com a foto de Maria Eduarda em que a criança declarava amor à mãe, Cláudia Barbosa Rodrigues, 39. A mulher, muito abalada, não consegue falar sobre a tragédia que tirou a vida da única filha.

Guerra de gangues
É a segunda morte na região em menos de 24 horas. Por volta das 21h30 desse domingo (20), um adolescente de 17 anos foi morto a tiros na frente da irmã, de 12, em uma parada de ônibus na QNO 17. A vítima não possuía passagens pela polícia e teria morrido, conforme dados preliminares dos investigadores, em razão de uma guerra entre gangues na área.

De acordo com informações dos agentes, o garoto esperava um ônibus na parada, em companhia da irmã, quando foi abordado por dois homens, ambos de bicicleta. Os suspeitos teriam perguntado à vítima se ela estava envolvido na guerra existente entre os moradores da QNO 17 e da QNO 18.

Mesmo após negar qualquer envolvimento na disputa, o adolescente foi baleado ao menos quatro vezes. Um dos disparos atingiu a cabeça do jovem, que morava com a família na QNO 16. Até a última atualização desta reportagem, nenhum suspeito havia sido preso.

Nota da PM
Segundo a Polícia Militar, as rondas em Ceilândia são feitas pelos 8º e 10º batalhões, que, juntos, prenderam 968 autores ou suspeitos de crimes e retiraram 105 armas das ruas, somente em 2018. No ano passado, de acordo com a corporação, os PMs fizeram 3.240 detenções e 351 armas foram recolhidas pelas mesmas equipes.

Sobre o caso de Maria Eduarda, a PM acredita que, a princípio, está relacionado à guerra de gangues. A corporação informou ter prendido, ainda na noite de segunda, um suspeito de ter disparado contra a menina.

Por fim, a Polícia Militar destaca que a criminalidade não está relacionada somente à falta de polícia nas ruas. “Fatores como educação, renda, convívio familiar, legislação e, principalmente, altos índices de reincidência cooperam para que a insegurança aumente. A PMDF tem feito sua parte. Ressalta-se que cerca de 50% desses presos são soltos e boa parte voltam a delinquir”. O assassinato de Maria Eduarda será investigado pela 24ª DP (Setor O).

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Indulto ou insulto?

  • O Globo
  • 13 May 2018
  • Ruth de Aquino é jornalista RUTH DE AQUINO

Quem há de aceitar como justa a saída de Suzane von Richthofen e Anna Carolina Jatobá, do presídio de Tremembé, no Dia das Mães?

É um indulto previsto em lei, por bom comportamento. Mas quem há de aceitar como justa essa saidinha de cinco dias do presídio? Impossível sentir compaixão pelas duas

Uma foi condenada a 39 anos pelo assassinato dos pais em 2002. A outra foi condenada a 26 anos e oito meses por matar a enteada em 2008. Dois crimes bárbaros ocorridos em São Paulo. O domingo materno será de festa para ambas.

Ninguém esquece que Suzane von Richthofen fingiu chorar com o luto após abrir a porta de casa para que o namorado e o irmão dele matassem a marretadas seu pai e sua mãe. Ninguém esquece que Anna Carolina Jatobá foi condenada por jogar do sexto andar uma menininha de 5 anos, Isabella Nardoni, com a cumplicidade do marido e pai da garota.

Suzane e Jatobá estão em liberdade para comemorar o Dia das Mães. É um indulto previsto em lei, por bom comportamento. Mas quem há de aceitar como justa essa saidinha de cinco dias do presídio de Tremembé, até terça-feira? Impossível sentir compaixão pelas duas mulheres. É justiça ou descompasso moral soltar ambas no Dia das Mães? O benefício é justo ou deslocado? Indulto ou insulto?

Curioso o sorriso de Suzane para as câmeras quando está fora das grades. Quase como se a celebridade negativa a divertisse. Matou a mãe por motivo fútil, porque não aceitava seu namoro. Rica, tinha vida confortável. Contratou os rapazes para sujar as mãos por ela. Órfã por matricídio, vai festejar o Dia das Mães ao lado do noivo, um empresário de Angatuba (SP). Tenta cumprir o resto da pena em liberdade, mas seu pedido não foi analisado.

Anna Carolina Jatobá nunca foi de sorrir. Inventou com o marido Alexandre Nardoni, na época, uma história fantasiosa para a morte de Isabella. O casal foi desmascarado por pistas do carro à janela, embora continue a se dizer inocente. Anna Carolina Jatobá vai comemorar o domingo com os dois filhos. A mãe de Isabella, que também se chama Ana Carolina, vai comemorar com o filho de 1 ano e dez meses. Seu senso de justiça é outro. “Uma pessoa que comete um crime desses deveria ficar presa o resto da vida dela”, disse em março, dez anos após o assassinato. Ela encontrou a filha ainda viva, estirada no jardim.

Como a Justiça deve agir diante de assassinatos torpes assim? “O sistema penal e prisional é uma criação humana para substituir o desejo de vingança”, diz a juíza Andrea Pachá. A pena de prisão não deveria ser apenas punitiva, mas sim aprimorada para garantir aos condenados uma chance de ressocialização. A progressão de pena e o indulto têm essa função. Mas, sempre que a lei se dissocia dos sentimentos morais, a sensação de injustiça vem à tona.

“Como magistrada, o que me inquieta é não conseguir explicar com clareza para a sociedade a razão de ser de determinadas normas”, afirma Andrea Pachá. “Devemos nos preocupar com a aplicação da lei, mas devemos nos preocupar com a importância simbólica que a lei representa. Nesse contexto, os indultos — previsões importantes da afirmação da civilidade e da humanidade — poderiam muito bem se desvincular de datas sensíveis e cheias de significado para todos nós”.

Em outras palavras, Suzane e Jatobá talvez devessem passar o Dia das Mães na cadeia, para refletir sobre o significado da maternidade. Assim, não despertariam a ira da sociedade, que as enxerga como bruxas.​

ATENÇÃO, ATENÇÃO, ATENÇÃO Oficinas de atendimento no comércio

A Ação Social Caminheiros de Antônio de Pádua (Ascap) abriu inscrições para oficinas de atendimento no comércio.

Os interessados podem fazer a reserva de vaga pelo e-mail ascap.cecsap@gmail.com ou pelo WhatsApp 98494-3296, ou na sede da Ascap, na EQNQ 1/3, Lote A, Área Especial, Setor “O” de Ceilândia, às terças e às quintas-feiras das 15h às 18h.

A oficina será gratuita e ministrada de 14 a 18 de maio, das 19h às 22h, na sede da Ascap.

Aos participantes será conferido certificado. Ainda há vagas disponíveis.

Como a doença de um presidente americano ajudou a criar a vacina contra a paralisia infantil

Como a doença de um presidente americano ajudou a criar a vacina contra a paralisia infantil

A poliomielite existe há séculos, mas foi só depois da doença de Franklin D. Roosevelt que os EUA se mobilizaram para tentar erradicá-la.

“Uma notícia alegre para alguém de idade como eu. Estou quase totalmente ‘fora de serviço’ no que diz respeito às minhas pernas, mas os médicos dizem que não há dúvidas de que recuperarei seu uso, ainda que isto signifique vários meses de tratamento em Nova York”.

Roosevelt era um símbolo de saúde e vitalidade antes de contrair a doença, e seu caso foi fundamental para chamar a atenção para o tema
Foto: Getty Images / BBCBrasil.com

Franklin Delano Roosevelt tinha 39 anos quando escreveu esse parágrafo em uma carta.

Vindo de uma família privilegiada, tinha sido subsecretário da Marinha dos EUA e já havia concorrido à vice-presidência da República nas eleições de 1920, pelo Partido Democrata, ao lado do candidato presidencial James Cox.

Era um homem que estava no centro da vida pública americana e tinha um estado de saúde invejável.

Mas, em uma tarde de agosto de 1921, seus filhos o desafiaram para uma disputa de natação e, na manhã seguinte, ele se deu conta de que não conseguia mover direito a perna esquerda.

Naquela noite, Roosevelt teve febre e dores terríveis nas pernas e nas costas. No fim da semana, o político tinha perdido toda a sensibilidade da cintura para baixo.

Depois de se consultar com médicos locais, sua família decidiu procurar um professor da Universidade de Harvard, Roberto Lovett, autor de um livro sobre o tratamento da poliomielite, também conhecida como paralisia infantil.

Lovett confirmou o diagnóstico de pólio e disse ao futuro presidente dos EUA que, apesar de não ser um caso grave, não havia como garantir que ele poderia voltar a andar.

Roosevelt baseou seu tratamento na natação – e criou um centro de tratamento na Geórgia, que continua em funcionamento
Foto: Getty Images / BBCBrasil.com

Roosevelt encarou a situação de maneira otimista e fez tudo o que estava a seu alcance para recobrar o uso das pernas.

Em 1922, ele brincou com um amigo a respeito do espartilho que estava usando por recomendação médica.

“Quando me sento, (o espartilho) me quebra em dois. Nunca me senti tão feliz por não pertencer ao sexo oposto”, escreveu ele.

Mas, apesar de todos os exercícios que eram indicados pelos médicos, com o tempo ficou claro que Roosevelt passaria o restante da vida em uma cadeira de rodas.

Muitos historiadores destacam a enfermidade de Roosevelt como um importante ponto de inflexão em sua vida como político – arrogante antes de contrair a doença, ele passou a demonstrar uma personalidade humilde.

Mas esse episódio também é considerado crucial para mudar a atitude dos americanos em relação às doenças e à saúde pública – e especialmente em relação à pólio. Os EUA acabaram desenvolvendo uma vacina para a doença depois que o tema entrou na agenda política nacional.

Milhares de crianças dos EUA foram vitimadas pela pólio nos séculos 19 e 20
Foto: Getty Images / BBCBrasil.com

Atenção redobrada

Apesar de ser uma doença antiga, a pólio não chamava a atenção da comunidade médica até o século 19, quando a medicina começou a se dividir em especialidades.

Foi na segunda metade daquele século que começaram a surgir hospitais e clínicas dedicados a áreas como a ortopedia, a neurologia e a pediatria.

Nesse novo contexto, as vítimas da pólio passaram a chamar a atenção dos médicos – especialmente os casos de paralisia infantil que afetavam crianças menores de 6 anos de idade, e principalmente quando os afetados eram meninos.

Muitos deles começavam a demonstrar os sintomas de forma repentina: iam dormir com a saúde perfeita, começavam a ter febre e de manhã acordavam sem conseguir sentir as pernas.

Na maioria dos casos, a paralisia era irreversível e a criança nunca mais voltava a caminhar.

O mal foi categorizado como um problema neurológico, que afetava os nervos da espinha dorsal. E a paralisia infantil – que também era chamada de “paralisia matinal” – ganhou um nome oficial: poliomielite.

A palavra, de origem grega, significa inflamação da matéria cinzenta (pólio) da medula espinhal. Na mesma época, a imprensa americana apelidou a doença simplesmente de “pólio”.

Pioneira nas pesquisas

No século 19, a maior especialista dos EUA em pólio foi uma mulher: Mary Putnam. Ela foi também a primeira pessoa do sexo feminino a se graduar em medicina em Paris, no ano de 1871.

Na França, Putnam se especializou em neurologia. Logo depois da graduação, ela se casou em 1873 com outro médico, Abraham Jacobi, que se tornou o primeiro professor do mundo em pediatria.

Foi combinando os conhecimentos de sua área de estudo e a do marido que Putnam se tornou a principal referência na doença.

A médica percebeu que a paralisia era incurável porque destruía as células nervosas que controlavam os músculos.

Em 1907, houve uma grande epidemia de pólio em Nova York, que logo se alastrou pelo resto do país e chegou ao Canadá.

Desde então, os casos de paralisia infantil nos EUA passaram a ocorrer aos milhares, todos os anos, causando pânico na população.

Cidades inteiras eram postas em quarentena a cada vez que um novo caso aparecia, com a polícia vigiando as ruas para garantir o toque de recolher.

Havia uma ironia nisso: geralmente, acredita-se que países com níveis sanitários piores estejam mais expostos a enfermidades virais como a pólio. Mas, neste caso, a suposta higiene dos EUA – país que se considerava o “mais asseado do mundo” – teve o efeito contrário.

Em países mais “sujos”, as crianças costumavam infectar-se ainda muito pequenas, obtendo assim imunidade para o resto da vida – o que derrubava o número de casos de pólio com consequências graves. Ao contrário, nos países mais ricos e “asseados”, a população era mais vulnerável quando o vírus aparecia.

Roosevelt promoveu a pesquisa contra a pólio, mas nunca se deixou fotografar em sua cadeira de rodas
Foto: Getty Images / BBCBrasil.com

O líder e a doença

Depois de assumir a presidência dos EUA, em 1933, Roosevelt criou uma comissão para pesquisar a paralisia infantil – uma das primeiras atividades do comitê foi organizar um famoso baile para levantar fundos.

O primeiro evento usou o slogan “dance para que outros possam caminhar” e arrecadou mais de US$ 700 mil – uma fortuna considerável para a época.

Em 1938, a comissão se transformou na Fundação Nacional para a Paralisia Infantil (NFIP, na sigla em inglês), cujas campanhas de conscientização descreviam a pólio como a ameaça número um à saúde pública.

A NFIP recebeu doações enormes e financiou muitas pesquisas sobre a possibilidade do desenvolvimento de uma vacina contra a pólio.

Mas a ideia de infectar crianças com um vírus tão perigoso era muito controvertida – e demorou trinta anos para que uma solução fosse encontrada.

Depois da Segunda Guerra Mundial, os especialistas discutiam se a melhor opção era usar cepas mortas ou ainda vivas, mas atenuadas.

O virologista de origem polonesa Albert Sabin acreditava que usar cepas mortas do vírus não faria com que os pacientes criassem os anticorpos capazes de protegê-los definitivamente.

Os testes em animais – principalmente macacos – haviam mostrado que a vacina com o vírus vivo funcionava, mas testar o método com humanos – em particular, crianças – ainda era um problema.

Jonas Salk, criador da primeira vacina contra a pólio. Hoje, a maior parte do mundo usa a vacina de via oral criada por Albert SabinFoto: Getty Images / BBCBrasil.com

‘O maior experimento do mundo’

Em 1952, os EUA sofreram com o pior surto de pólio de sua história, e a NFIP ficou sob imensa pressão para produzir logo a vacina.

No mesmo ano, o médico Jonas Salk concluiu os estudos para uma vacina à base de vírus mortos, com financiamento da NFIP, e quis testá-la com crianças.

Decidiu-se – depois de muita polêmica – testar o material em crianças de um instituto psiquiátrico do Estado da Pensilvânia. Os testes foram bem-sucedidos.

O passo seguinte era fazer uma prova com um número maior de indivíduos. A NFIP, então, contatou centenas de milhares de famílias americanas atrás de voluntários.

Nada menos que 90% dos consultados deram autorização para que seus filhos se tornassem “pioneiros” da pesquisa.

O estudo ficou conhecido como “o maior experimento de saúde pública de todos os tempos” e envolveu 1,5 milhão de crianças.

Um ano depois, a Universidade de Michigan anunciou que os resultados do teste eram positivos e que a vacina era segura e eficaz contra a doença.

“Este é um dia maravilhoso para o mundo. Um dia no qual se fez história”, disse, na época, um porta-voz das autoridades de saúde dos EUA.

Numa entrevista à rede de TV americana CBS, Salk destacou que a vacina, na realidade, era uma realização coletiva.

Perguntaram-lhe a quem pertenceria a patente, e ele respondeu: “Não há patente. Pode-se patentear o Sol?”

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