Mutirão de vasectomia é realizado pelo HUB e pela Secretaria de Saúde

Objetivo é atender 50 pacientes até a sexta-feira (22/9). Beneficiados são moradores de Itapuã, Paranoá e São Sebastião que estão na fila de espera

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postado em 21/09/2017 12:05 / atualizado em 21/09/2017 12:30
Correio Braziliense
Carlos Moura/CB/D.A Press

Para reduzir a espera pela vasectomia, procedimento cirúrgico de esterilização masculina, o Hospital Universitário de Brasília (HUB) e a Secretaria de Saúde do Distrito Federal se uniram para, até sexta-feira (22/9), realizar o procedimento em 50 pacientes da Região Leste de Saúde: Itapuã, Paranoá e São Sebastião. A fila de espera, atualmente, conta com 147 homens.

O paciente atendido no mutirão sai do hospital com o espermograma agendado para daqui a dois meses. O exame, realizado no HUB, confirma o resultado da vasectomia. Além disso, ele recebe todas as orientações para agendar o retorno com um urologista, que passará a acompanhá-lo periodicamente ou o encaminhará ao Programa Saúde da Família, na própria Região Leste.

20 profissionais

O HUB organizou toda a estrutura necessária para atender à demanda. São três salas de cirurgia ambulatorial disponíveis e pelo menos 20 profissionais envolvidos, entre técnicos de enfermagem, enfermeiros, médicos do HUB e do Hospital da Região Leste (HRL), estudantes de graduação e médicos residentes.O projeto visa a organizar um fluxo de atendimento que permita ao paciente ter suas necessidades atendidas em qualquer nível de complexidade assistencial, o que pressupõe um trabalho de regulação interna e de regulação entre as instituições.

O urologista e chefe da Unidade de Transplantes do HUB, Rômulo Maroccolo, explica que a intervenção é simples e rápida, ao contrário da laqueadura, procedimento de esterilização da mulher que exige mais tempo de recuperação e está sujeito a mais riscos. Com anestesia local, a vasectomia é realizada em aproximadamente 30 minutos, e o paciente tem alta em seguida.

Com informações Hospital Universitário de Brasília (HUB)

DESAFIOS DA EDUCAÇÃO

Esse debate se propõem a fazer uma reflexão sobre os Desafios da Educação, com foco na Educação Básica, profissionalizante e no processo de formação dos gestores.

Palestrantes.

– Professor Mozart Neves – Foi Reitor da Universidade Federal de Pernambuco , Presidente Executivo do Movimento “Todos pela Educação” e atualmente é diretor de articulação e inovação do Instituto Ayrton Senna. Atua na área de Políticas Públicas para a Educação.

Helena Neiva – representante da Conspiração Mineira pela Educação.
Moderador: Jornalista Estevão Damázio.
Data: 14 de setembro às 20 horas.
Local: Auditório da Câmara Legislativa do DF.
Obs: O acesso à garagem será liberado

Vencimento de vacinas contra HPV faz Ministério da Saúde ampliar campanha

19/03/2015. Crédito: Gabriel Jabur/Agência Brasília. Brasil. Brasília – DF. A campanha para a vacinação contra o HPV começou no último dia 3 de março mas até o momento, poucas crianças foram imunizadas.

O Ministério da Saúde ampliou o prazo de vacinação contra o papiloma vírus humano (HPV), para homens e mulheres entre 15 e 26 anos. Agora, quem quiser se proteger do vírus tem até março de 2018. Inicialmente, o período acabaria este mês, mas alguns estoques venceriam no terceiro mês do ano que vem. O governo federal alterou o calendário para evitar o desperdício de doses com vencimento para o primeiro trimestre do próximo ano. Contudo, o DF não prorrogou o imunização.

Segundo a Secretaria de Saúde, a capital não tem vacinas com vencimento em 2018. “Todo o estoque tem vencimento em 2019. Por esse motivo, o DF não ampliará a vacinação”, explicou em nota. Atualmente, o DF 26,2 mil doses disponíveis — sendo 8,1 mil doses no estoque, 6 mil nos postos de saúde e mais 12,1 mil enviadas pelo Ministério da Saúde. O governo federal repassa mensalmente as vacinas aos estados, que são responsáveis por garantir a vacinação da população.

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Com o fim dos estoques a vencer em março de 2018, a orientação do Ministério da Saúde é que a vacina continue sendo administrada apenas no público-alvo (9 a 15 anos). As pessoas de 15 a 26 anos que tomarem a primeira dose da vacina HPV neste período terão garantidas as doses subsequentes no SUS. Para essa faixa etária, o esquema vacinal é com três doses, com intervalo de zero, dois e seis meses.

O ministro da Saúde, Ricardo Barros, destacou, em nota, que a orientação é que as secretarias de Saúde utilizem as vacinas até que durem os estoques. “A recomendação é que os municípios utilizem as vacinas com prazos de validade a expirar, evitando um possível desperdício e dando a oportunidade para que essas outras faixas etárias possam usufruir dos benefícios proporcionados pela vacina”, ressaltou.

Vacina previne contra o câncer

Existem mais de 200 tipos de HPV, sendo que 150 foram cientificamente identificados e sequenciados geneticamente. Entre esses tipos, 14 apenas podem causar lesões precursoras de câncer, como o de colo de útero, garganta ou ânus. Os sintomas normalmente se manifestam após entre dois e oito meses da infecção, ele pode ficar encubado, ou seja, presente no organismo, mas sem se manifestar, por até 20 anos.

O principal sintoma do HPV é o surgimento de verrugas ou lesões na pele, normalmente uma manchinha branca ou acastanhada que coça. Muitas vezes, no entanto, a lesão pode não ser visível a olho nu, aparecendo em exames. “A vacina HPV Quadrivalente é segura, eficaz e é a principal forma de prevenção contra o aparecimento do câncer do colo de útero, quarta maior causa de morte entre as mulheres no Brasil. Nos homens protege contra os cânceres de pênis, orofaringe e ânus. Além disso, previne mais de 98% das verrugas genitais, doença estigmatizante e de difícil tratamento”, ressalta o Ministério da Saúde.

18 milhões

Total de dose aplicadas na população feminina desde o início da vacinação, em 2014, até junho deste ano

7,1 milhões

Quantidade de meninas que receberam o esquema vacinal completo (duas doses) o que corresponde a 59,7% do público-alvo

853 mil

Total de meninos, de janeiro a junho deste ano, que se vacinaram com a primeira dose da vacina de HPV, o que corresponde a 23,6% do público-alvo

3,6 milhões

Quantidade de meninos entre 11 e 13 anos que devem se imunizar

Projetos fotográficos devolvem autoestima a mulheres fora do padrão

Postado em 03/09/2017 07:00
Rebeca Oliveira /

Crédito: Andreza Pinheiro/Divulgacao.
Amanda Carvalho posa para o projeto Entre tantos amores, o próprio.

A fotografia tem sido importante aliada nesse processo de quebra de padrões
Andreza Pinheiro/DivulgaçãoAmanda Carvalho, uma das personagens que posou e compartilhou memórias com a paulista Andreza Pinheiro

Em tempos de empoderamento feminino, são muitas as mulheres que se sentem mais livres com a própria imagem, e encontram nas redes sociais uma plataforma para gritar essa autoaceitação. Arte do olhar, a fotografia tem sido importante aliada nesse processo de quebra de padrões. Apesar da pressão social continuar afligindo uma grande parcela da população (o Brasil lidera o ranking de países em cirurgias plásticas femininas), pipocam nas redes sociais projetos em que fotos e relatos biográficos entregam diversidade. O corpo é memória e, como tal, pede por respeito.

“Temos novas oportunidades de alcançar mais pessoas. Precisamos desconstruir a ideia de ‘padrões de beleza’. Cada indivíduo é único e essa diversidade precisa ser celebrada”, defende Andreza Pinheiro, criadora do Entre tantos amores, o próprio.
As imagens são disponibilizadas em uma página do Facebook criada em 8 de março, quando se comemorou o Dia Internacional da Mulher.

“Vivemos um processo de reestruturação do que é ser mulher na nossa sociedade. Não só os padrões de beleza, mas os padrões de comportamento e posicionamento político das mulheres vêm se alterando como nunca vimos antes. Acredito que, diferentemente do movimento feminista do século passado, a primavera feminina no século 21 reposiciona a mulher em todos os aspectos possíveis de uma vez só”, defende Nathália Oliveira, idealizadora da página Mulheres Poderosas, no ar na mesma rede social. Na próxima terça, será publicado o relato da primeira mulher trans entrevistada pelo projeto. Valéria Houston, a cantora escolhida, vem ganhando cada vez mais visibilidade no mercado, na “cola” de pares como a drag queen Pabllo Vittar.

Paulista, a fotógrafa Andreza Pinheiro sempre trabalhou com ensaios femininos convencionais. Até que, no início desse ano, uma inquietação a fez voltar as lentes para outros corpos. Sem padrões e estereótipos, a profissional queria construir uma narrativa em que imagens e memórias revelassem o que há por trás de diferentes personalidades femininas. Uma delas foi Amanda Carvalho, que teve 57% do corpo queimado com gasolina ao tentar salvar a mãe de um ataque furioso do próprio pai. Ambos morreram após a tragédia. “Se antes eu tinha vergonha das minhas cicatrizes, hoje eu tenho o maior orgulho e as amo. Elas fazem parte de mim, parte da minha história, de quem me tornei. Sou mais forte em tê-las. São como um escudo. Corpo bonito é aquele tem uma pessoa feliz dentro dele, e sou extremamente feliz assim: com cada cicatriz”, escreveu a modelo em um dos relatos mais impactantes do projeto.

Mulheres poderosas

De nome autoexplicativo, o Mulheres Poderosas é uma parceria das cariocas Nathália Oliveira e Renata Spinellio. A primeira delas teve o insight criativo em 2016, quando fez a primeira viagem sozinha e acompanhou, pela web, a repercussão do assassinato da argentina Lucía Pérez, em Mar Del Plata. “A mobilização de mulheres que surgiu a partir desse episódio tenebroso me motivou a também me mobilizar para lutar pelo fim da violência contra as mulheres. Toda campanha que existe sobre o assunto tem como imagem a mulher machucada, fragilizada, e entendi que esse não é o melhor caminho. O melhor caminho para o fim da violência contra a mulher é a valorização da vida de cada uma de nós, e tento fazer isso ao contar as histórias e publicar as fotos do projeto”, explica.

Crédito: Weudson Ribeiro/Divulgacao. Imagens do projeto Superafro, de Weudson Ribeiro.

Weudson Ribeiro/DivulgaçãoSuperafro, uma investigação informal da presença afro na mídia

Superafro

Brasiliense, o fotógrafo Weudson Ribeiro notou a ausência de mulheres com cabelo natural na moda e na publicidade – sobretudo no Brasil, país em que, segundo o IBGE, pretos e pardos integravam a maioria (53,6%) da população. Para sanar a lacuna, passou a publicar fotos desde 2015 no blog akaschwarz.tumblr.com, após uma conversa com a etnóloga norte-americana Yaba Blay. “Começou como uma investigação informal: eu fui às ruas para abordar essa questão e ouvir delas uma opinião sobre a falta de representatividade afro na mídia”, conta. “Se a consciência negra havia crescido tanto, porque os comunicadores em geral não estavam prestando atenção nisso?”, perguntou-se. Weudson planeja uma exposição de Superafro, ainda sem data definida.

Crédito: Daniel Regan/Divulgação.
Imagens do projeto Alopecia, do fotógrafo britânico Daniel Regan.Daniel Regan/DivulgaçãoProjeto Alopecia, do britânico Daniel Regan

Alopecia

O projeto criado pelo fotógrafo britânico Daniel Regan retrata mulheres com alopecia, doença que desacelera a produção de pelos na cabeça e em outras partes do corpo. Ela é desencadeada por questões genéticas ou emocionais, como situações de estresse. Em entrevista a portais internacionais, ele contou que os ensaios tem um papel importante na autoaceitação. “É um testemunho de como a fotografia pode ser poderosa, e se for usada corretamente, pode ter impactos terapêuticos importantes”, revelou ao Huffpost UK. As fotos estão disponíveis no site danielregan.com/alopecia.

Parasito conhecido por causar malária em macacos também pode infectar humanos

31/08/2017 – Instituto Oswaldo Cruz
Análise de amostras de pacientes que contraíram a doença em área de Mata Atlântica no estado do Rio de Janeiro, em 2015 e 2016, revela nova forma de infecção
Maíra Menezes e Vinicius Ferreira

Imagens de microscopia óptica, realizadas pelo Laboratório de Patologia do IOC, a partir de diagnóstico do Laboratório de Parasitologia do INI, evidenciam a infecção por Plasmodium simium em amostras de sangue humano.

A partir da análise de casos de malária registrados em região de Mata Atlântica, no estado do Rio de Janeiro, entre 2015 e 2016, pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com cientistas de instituições nacionais e internacionais, demonstraram que um parasito até então conhecido por sua capacidade de infectar macacos é capaz de causar infecção em humanos, o que corresponde a uma zoonose.

Técnica de análise de material genético desenvolvida especialmente para o estudo constatou 28 infecções causadas pelo Plasmodium simium. Publicado na revista científica ‘The Lancet Global Health’, o trabalho traz uma contribuição fundamental, já que esta é a descrição do segundo foco no mundo com transmissão de malária zoonótica, além da transmissão de P. knowlesi de macacos a humanos constatada na Malásia na Ásia. A evidência pode corresponder à descrição de um sexto tipo de malária humana.

“Estamos diante de uma descoberta de relevante impacto para a saúde pública, por representar uma nova forma de infecção. No entanto, do ponto de vista da vigilância epidemiológica, os casos de malária que detectamos representam uma parcela mínima dos registros da doença no país. Além disso, todos os pacientes diagnosticados com a infecção apresentaram apenas sintomas leves e se recuperaram rapidamente após o tratamento”, afirma um dos coordenadores do estudo, Cláudio Tadeu Daniel-Ribeiro, chefe do Laboratório de Pesquisa em Malária do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e coordenador do Centro de Pesquisa, Diagnóstico e Treinamento em Malária da Fiocruz (CPD-Mal), centro de referência para diagnóstico da malária na Extra-Amazônia.

Sinal de alerta
A maior prevalência dos casos de malária no país está na região amazônica, com índice que supera os 99% de todo o registro nacional. Contudo, a crescente constatação de infecções em áreas de Mata Atlântica do estado do Rio de Janeiro – região cujos casos de malária em humanos foram considerados eliminados há cerca de 50 anos – despertou a atenção dos especialistas.
Enquanto de 2006 a 2014 o estado do Rio registrava uma média de quatro casos autóctones (locais) de malária por ano, em 2015 e 2016, esse índice subiu para 33 e 16, respectivamente.

Como serviço clínico integrante do Centro de Referência para Tratamento e Diagnóstico da Malária (CPD-Mal/Fiocruz), o Ambulatório de Doenças Febris Agudas do INI atendeu 25 dos 33 casos ocorridos no Rio, em 2015, e 14 dos 16, em 2016, totalizando 39 (80%) dos 49 casos reportados no estado.
“Os pacientes apresentavam sintomas um pouco diferentes da malária causada por Plasmodium vivax, usualmente vista na Amazônia, que responde por cerca de 90% das infecções em humanos no país. Os indivíduos reportavam quadro febril prolongado, sendo constante nos primeiros dias e intermitente nos demais. Além disso, a grande maioria tinha histórico de viagem a regiões de Mata Atlântica do Rio, seja por trabalho ou lazer”, explica a médica Patrícia Brasil, chefe do Laboratório de Doenças Febris Agudas do INI.

Investigação minuciosa e complexa
Em quase todos os casos analisados durante as investigações, o diagnóstico inicial – realizado a partir de uma minuciosa e especializada observação ao microscópio dos parasitos presentes no sangue dos pacientes e dos macacos capturados – apontava pequenas diferenças morfológicas entre o parasito encontrado e o P. vivax que comumente infecta indivíduos na região amazônica.

As análises indicavam uma maior semelhança entre os parasitos fluminenses e descrições anteriores do P. simium na literatura científica.

Ainda que a análise microscópica fosse suficiente para determinar que os parasitos encontrados nas amostras eram do gênero Plasmodium, era necessário realizar laboratorialmente a confirmação da espécie. Para isso, foram aplicados testes de PCR convencional e em tempo real. Os primeiros testes realizados reconheceram no material o parasito P. vivax, mas se revelaram posteriormente incapazes de distinguir P. vivax do P. simium.

Coube ao Grupo de Biologia Molecular e Imunologia da Malária da Fiocruz-Minas, juntamente com o grupo do IOC, realizar o diagnóstico dos casos em primatas não humanos. Para alcançar um diagnóstico mais preciso, amostras de 33 pacientes foram submetidas ao sequenciamento do genoma mitocondrial do parasita – DNA encontrado em organelas celulares chamadas de mitocôndrias. Em três foi realizado o sequenciamento completo e em 30, o parcial.

O passo seguinte foi comparar os resultados com 794 sequências de genoma mitocondrial de P. vivax e três sequências de P. simium depositados no banco de genomas internacional Genbank.

Nessa etapa, realizada em parceria com a UFRJ, o Instituto de Medicina Tropical do Japão e a Universidade Nova de Lisboa, foram identificadas diferenças entre os genomas do P. vivax e do P. simium que poderiam servir como alvo para o diagnóstico diferencial entre esses dois parasitos, usando técnicas moleculares.
“Por meio da comparação das amostras de primatas não humanos e humanos infectados na Mata Atlântica com as sequências de genomas mitocondriais de Plasmodium vivax de diferentes regiões do mundo, conseguimos identificar dois biomarcadores, garantindo se tratar do P. simium, o que significa que nesta região a doença se comporta como uma zoonose”, explica a pesquisadora da Fiocruz-Minas Cristiana Brito.

As análises baseadas nessa nova abordagem revelaram sequências genéticas idênticas para P. simium em 28 das 33 amostras. Amostras de P. simium de três macacos coletados da Mata Atlântica do Rio de Janeiro, um em 2013 e dois em 2016, e uma obtida de um macaco de São Paulo nos anos 1960, também foram analisadas.

Confirmação de uma hipótese
A possibilidade de infecção humana pelo P. simium foi evocada há quase 50 anos por Leônidas Deane, um dos maiores parasitologistas que o país já teve. Entretanto, sem as ferramentas moleculares para distinguir entre esse parasito e o P. vivax não era possível afirmar que os casos registrados no Rio de Janeiro eram resultado desse tipo de infecção.

“A descrição do P. simium foi feita em 1951 nas ‘Memórias do Instituto Oswaldo Cruz’ por Flavio da Fonseca, que identificou o parasito em um macaco de São Paulo. Na década de 1960, Leônidas Deane documentou o único caso suspeito de infecção humana por P. simium publicado anteriormente na literatura científica: um profissional que atuava na captura de mosquitos vetores da malária de macacos no Horto Florestal da Cantareira, em São Paulo, e contraiu a doença. A análise das características morfológicas do parasito aliada ao fato de não haver transmissão de malária humana na região apontavam para a hipótese”, explica Ricardo Lourenço, que foi discípulo de Deane e coordenador das capturas de mosquitos e macacos examinados no estudo.

Risco de disseminação
Os pesquisadores ponderam que, com os conhecimentos disponíveis hoje, não é possível determinar se o parasito adquiriu a capacidade de infecção de seres humanos recentemente ou se a malária zoonótica já infectava seres humanos no local antes da eliminação da doença na região.
Segundo eles, para dimensionar a ameaça apresentada pelo P. simium será necessário aprofundar os estudos, com a análise de mais amostras de humanos, primatas e mosquitos para determinar a área de circulação do parasito. Também será preciso investigar se a transmissão do P. simium ocorre apenas a partir dos macacos ou se as pessoas doentes podem apresentar quantidade suficiente de parasitos no sangue que mosquitos sejam infectados durante a picada.
“A partir da técnica de análise de material genético desenvolvida especialmente para o estudo, foi possível aprimorar o teste de PCR para detectar com precisão uma possível infecção por P. vivax ou P. simium. Vamos submeter outras amostras a este processo para verificar qual parasito tem provocado infecções no Rio e em outros estados cobertos por Mata Atlântica”, adianta Cláudio Ribeiro.
A combinação de técnicas parasitológicas e moleculares e de investigação em campo com buscas por animais e mosquitos infectados é fundamental para elucidar a origem dos casos de malária diagnosticados no Rio de Janeiro.

Os aspectos clínicos da malária causada pelo P. simium também devem ser alvo de pesquisas. Segundo os cientistas, a avaliação destes casos, até o presente momento, sugere que o P. simium não seria capaz de formar hipnozoítos, formas latentes que não são eliminadas pelos medicamentos e permanecem ‘adormecidas’ no fígado por meses ou anos, podendo levar à reativação do agravo posteriormente.
Para confirmar essa percepção, deve haver acompanhamento dos pacientes por mais tempo, bem como a realização de outros estudos em primatas não-humanos, que já se iniciaram.

Nas áreas onde a doença já foi identificada e quando houver a necessidade de adentrar em regiões de Mata Atlântica, os pesquisadores recomendam medidas de proteção individual, como o uso de repelentes e roupas que cubram a maior área do corpo, além da colocação de telas nas janelas e de mosquiteiros sobre as camas, com o objetivo de prevenir picadas durante a noite.
Além disso, os especialistas ressaltam que os profissionais de saúde precisam estar atentos para realizar o diagnóstico dos casos mesmo nas áreas que não são endêmicas para a doença e oferecer o tratamento adequado aos pacientes.
“A malária da Mata Atlântica costuma ter poucos sintomas e raramente é motivo de internação hospitalar. Os médicos devem ficar atentos à presença de síndrome febril e à história de deslocamento às localidades onde os casos foram registrados. Diante da falta de especificidade do quadro clínico, a história de deslocamento é o aspecto que deve orientar a investigação diagnóstica”, enfatiza Patrícia Brasil.

Malária no Brasil
Até a descoberta liderada pela Fiocruz, a doença podia ser causada no Brasil por três espécies de parasitos do gênero Plasmodium: P. vivax, P. falciparum e P. malariae. “A partir dos dados trazidos por esse estudo, é razoável supor que uma nova modalidade de transmissão, envolvendo macacos, mosquitos prevalentes na região e um parasito diferente do P. vivax encontrado na Amazônia está causando os casos nas regiões da Mata Atlântica do Rio de Janeiro e, possivelmente, em outros estados”, Cláudio sugere.
Em 2015, o Brasil registrou 143 mil notificações da doença. Independentemente da espécie de parasito, a malária é transmitida pela picada de mosquitos infectados do gênero Anopheles. O principal sintoma é a febre. Além disso, os pacientes podem apresentar episódios de calafrios, dor de cabeça, dor no corpo e artralgia – dor nas articulações.
O tratamento é feito com medicamentos antimaláricos que variam conforme a espécie de Plasmodium causadora da infecção.
Site: www.fiocruz.br/ioc/

Metamorfose do Cerrado

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Carioca de nascimento, cerratense de coração, Paulo Juvenal Alves, oriundo de terras da Mata Atlântica mudou-se, ainda muito jovem, para a nova Capital, onde permanece até os dias de hoje. Em Brasília, concluiu seus estudos, formando-se em Medicina pela Universidade de Brasília-UnB, no ano de 1974.

Após sua chegada, ocorreu um estranhamento com a vegetação do novo bioma. Com o passar do tempo, a impressão inicial foi desaparecendo, dando lugar a uma arrebatadora paixão pelas árvores retorcidas, de cascas grossas e, ao mesmo tempo, de flores delicadas e exuberantes.

A mudança na fisionomia das plantas, em resposta à variação das estações chuvosa e seca também aguçavam sua curiosidade e lhe encantavam.

A vontade de registrar sua percepção do Cerrado foi ganhando forma, até se materializar no livro “Metamorfose do Cerrado”
Além da beleza plástica captada pelas lentes de Luiz Clementino e do autor, o livro traz também, de forma despretensiosa, uma caracterização do Cerrado dentro do conceito geral das savanas e um resgate da história do Jardim Botânico de Brasília, local onde desenvolveu boa parte do trabalho.

Metamorfose é também um grito de alerta aos que ainda não veem o Cerrado como um patrimônio natural a ser conservado.

O lançamento será realizado às 20 horas do dia 28 de agosto, no Clube do Choro de Brasília, por ocasião da noite de autógrafos.

Já atingiram meu olho, mas não vão me calar”: Professora agredida por aluno denuncia mensagens de ódio

Marcia Friggi, de 51 anos, lamenta situação da educação no Brasil: “Chegamos além do fundo do poço”
BBC BRASIL.com
22 AGO2017
11h33
atualizado às 11h54
O sangue que escorria de uma abertura do supercílio manchava o rosto de Marcia Friggi, de 51 anos. Do olho esquerdo brotavam lágrimas já que o direito, atingido por um soco, estava tão inchado que a professora de língua portuguesa e literatura de Indaial, em Santa Catarina, mal conseguia abri-lo. Era o primeiro dia de aula de Friggi para aquela turma. E também o primeiro dia do aluno agressor ali.

“Ele, um menino forte de 15 anos, começou a me agredir. Foi muito rápido, não tive tempo ou possibilidade de defesa. O último soco me jogou na parede”, escreveu a professora.

“Ele, um menino forte de 15 anos, começou a me agredir. Foi muito rápido, não tive tempo ou possibilidade de defesa. O último soco me jogou na parede”, escreveu a professora.
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Uma pesquisa de 2014, feita em 34 países, revelou que 12,5% dos educadores brasileiros disseram sofrer agressões verbais ou intimidações de alunos ao menos uma vez por semana. A média entre todos os países foi de 3,4%.

À BBC Brasil, a delegacia da Polícia Civil de Indaial confirmou ter registrado a ocorrência ainda na manhã da última segunda-feira. Por ser menor de idade, o adolescente teve a atitude anotada em um auto de infração por lesão corporal e deve ser levado a depor ainda esta semana.

Em 2016, o mesmo jovem já havia sido denunciado por lesão corporal contra a própria mãe e, em 2017, por ameaça contra um Conselheiro Tutelar, que acompanha o desenvolvimento do rapaz. Na ocasião, o jovem havia afirmado que daria um soco no rosto do profissional, tal como acabou fazendo com Friggi.
Ataques nas redes sociais
Junto com manifestações de solidariedade, a professora foi alvo de uma enxurrada de mensagens de ódio de pessoas que a culparam pelo incidente. Os internautas acusaram-na de ter feito comentários elogiosos à uma ovada desferida contra o deputado federal Jair Bolsonaro.

Nos comentários, ela leu que “apanhou pouco” e que “se a senhora e vários outros professores se preocupassem em ensinar ao invés de imbecilizar os alunos, cenas como essa não existiriam nas escolas. Você é cupada por incentivar o desrespeito, a falta de educação, o vitimismo e o coitadismo”.

Em resposta, a professora fechou suas páginas nas redes sociais para comentários. Antes disso, no entanto, afirmou em uma mensagem: “dilacerada ainda, mas em paz”.
Experiência cotidiana
A situação vivida por Friggi nesta segunda-feira é, segundo dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), uma experiência vivida por muitos professores brasileiros.

“Estou dilacerada por ter sido agredida fisicamente. Estou dilacerada por saber que não sou a única, talvez não seja a última. Estou dilacerada por já ter sofrido agressão verbal, por ver meus colegas sofrerem”, desabafou Friggi.
Além da falta de segurança para exercer a profissão, professores brasileiros são comprovadamente mal-remunerados. Outro levantamento da OCDE, de 2016, mostrou que os docentes dos ensinos fundamental e médio do país recebem menos da metade do que a média dos profissionais da educação dos 35 países membros da organização.
Os ferimentos físicos, causados por um aluno de 15 anos e documentados em foto, impressionam. Mas as agressões à professora não se encerraram aí. A exposição do caso nas redes sociais de Friggi desencadeou uma nova onda de ataques contra ela, conforme relatou a professora à BBC Brasil:
“Estou estarrecida. Certas pessoas estão escrevendo que eu merecia isso, por meu posicionamento político de esquerda, de feminista. Já atingiram o meu olho, mas não vão me calar. Na sala de aula é uma coisa, mas nas redes sociais tenho todo o direito de me expressar”, afirmou a professora, que se desdobra em dois empregos, nas redes municipal e estadual, para sustentar a família.
Com a voz embargada, Friggi definiu sua condição:
“Exerço uma das profissões mais dignas do mundo, com um salário miserável”.
A escola onde Friggi foi agredida, na qual leciona há quatro anos, dedica-se ao ensino de jovens e adultos.
“Somos agredidos verbalmente de forma cotidiana. Fomos [os professores] relegados ao abandono de muitos governos e da sociedade. Somos reféns de alunos e de famílias que há muito não conseguem educar. Esta é a geração de cristal: de quem não se pode cobrar nada, que não tem noção de nada”, lamenta.
Socos na escola
Conforme relatou em uma postagem no Facebook, já compartilhada mais de 321 mil vezes, Friggi foi agredida por um estudante durante a aula.
Ao pedir que o aluno colocasse um livro que estava entre as pernas sobre a mesa, a professora conta que foi xingada. Depois, o aluno jogou o livro em sua direção.
Ao encaminhar o jovem para a direção escolar, Friggi acabou alvo de socos e agressões.
“Ele, um menino forte de 15 anos, começou a me agredir. Foi muito rápido, não tive tempo ou possibilidade de defesa. O último soco me jogou na parede”, escreveu a professora.
Site:www.terra.com.br

Tentativas de feminicídio registraram aumento de 288,9% neste ano

O caso de um rapaz acusado de jogar a namorada nas rodas de um caminhão na EPTG aumenta as estatísticas de barbáries contra a mulher.

violencia
postado em 18/08/2017 06:00

Thiago Soares
No Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), uma mulher que ainda não teve a identidade revelada está à beira da morte. A jovem faz parte de uma estatística revoltante ligada à tentativa de femincídio. Na madrugada de ontem, ela foi atropelada depois de ser jogada pelo namorado contra contra um caminhão que trafegava no sentido Plano Piloto—Estrada Parque Taguatinga (EPTG). Depois do crime, Lucas Ribeiro Bragança, 21 anos, saiu correndo, mas foi capturado pelos ocupantes do veículo. Até o fechamento desta edição, ele estava preso na carceragem do Departamento de Polícia Especializada (DPE) da Polícia Civil. Apenas neste ano, de janeiro a junho, 35 mulheres sofreram tentativas de assassinato. Um acréscimo de 288,9% desse tipo de crime se comparado ao mesmo período do ano passado, em que 9 foram vítimas.

A tragédia de ontem ocorreu por volta da 1h da manhã, quando o caminhão de coleta de lixo do Serviço de Limpeza Urbana (SLU) se dirigia para o centro de distribuição na Cidade Estrutural. Essa seria a última viagem, mas os trabalhadores acabaram surpreendidos com o fato. O motorista, ainda a uma certa distância, percebeu que um casal discutia no canteiro próximo à pista. “Pela gesticulação dava para notar que eles brigavam”, relata o condutor, que trafegava a menos de 60km/h. Ao chegar mais próximo, o motorista levou um susto. “Percebi que ele foi para trás da moça. Em questão de segundos, o homem a arremessou contra o caminhão. Tentei desviar e não foi suficiente. Ela se machucou. Eu desci pra socorrer. Fiquei em choque com a situação”, destacou.

Depois disso, o acusado seguiu em fuga. Entrou correndo em um supermercado que estava em funcionamento. “Ele chegou falando que alguém estava querendo assaltá-lo. Só que depois dois homens entraram contando o que ele tinha feito”, detalhou um funcionário do estabelecimento. Algumas pessoas tentaram agredir Lucas, porém, os atendentes e caixas da loja impediram a ação. “O rapaz estava bem transtornado. Não dava para saber se ele tinha apenas bebido ou talvez consumido alguma droga”, contou. No momento havia alguns clientes na supermercado, que ficaram assustados com a situação. A Polícia Militar chegou ao local em pouco menos de 10 minutos. A mulher foi levada com urgência pelo Corpo de Bombeiros ao Hospital de Base.

Investigações

Para a Polícia Civil, não há dúvidas em relação ao caso. Lucas foi autuado por tentativa de feminicídio. Os investigadores não conseguiram identificar a vítima, uma vez que ela não possuía nenhum documento. Além disso, nenhum familiar havia comparecido ao hospital até o fechamento desta edição. “Estamos acompanhando o estado da vítima. A última informação que tivemos é que o estado de saúde dela ainda é considerado gravíssimo. Ela teve perda de massa encefálica e, caso sobreviva, o braço direito pode ser amputado”, revelou Paulo Henrique Almeida, delegado adjunto da 12ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Centro).
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Homem é preso por estuprar primos de 5 anos e filmar os abusos

O acusado, de 22 anos, foi preso em Ceilândia. Segundo a polícia, ele estuprou as crianças por reiteradas vezes

Márcia Delgado
MÁRCIA DELGADO
11/08/2017 12:24 , ATUALIZADO EM 11/08/2017 13:26

Policiais da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) prenderam, nesta sexta-feira (11/8), um homem acusado de estuprar os dois primos, de 5 anos, e filmar as cenas de sexo explícito envolvendo as duas crianças. A ação ocorreu em Ceilândia.
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L.J.C.S., 22, foi encarcerado por determinação da Justiça, que decretou a sua prisão preventiva. A polícia indiciou o rapaz por estupro de vulnerável.
De acordo com a apuração da DPCA, L.J.C.S. abusou sexualmente das crianças por reiteradas vezes e filmou os atos libidinosos. Por isso, responderá pelo crime de filmagem de cena de sexo explícito envolvendo menores, previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Na mesma ação, os policiais civis cumpriram mandados de busca e apreensão em três endereços vinculados ao autor. Foram apreendidos celulares e computador, dispositivos eletrônicos depositários de pornografia infantil. Além disso, os agentes encontraram brinquedos infantis, pertencentes ao indiciado, que estavam, inclusive, no armário pessoal do local de trabalho do autor. Após os procedimentos legais, L.J.C.S. foi recolhido ao cárcere da Polícia Civil do Distrito Federal.
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