MARIA CLÁUDIA PELA PAZ
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JUSTIÇA FEITA
  
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No dia 12 de dezembro, Brasília amanheceu diferente: um caminho de esperança se abriu para toda a sociedade que tem a possibilidade de um novo sonhar.
 
Com uma decisão justa e necessária os algozes, cruéis e frios assassinos, de Maria Cláudia de Siqueira Del'Isola, receberam nas primeiras horas daquela quarta-feira a sentença dada pelo brilhante juiz João Egmont. O criminoso Bernardino do Espírito Santo foi condenado a 65 anos de reclusão e sua comparsa Adriana de Jesus, teve mantida a pena 58 anos.  Inicia-se, assim, uma nova esperança para o cidadão de bem a partir da justiça feita por Maria Cláudia.
 
Um importante passo foi dado, para os enfrentamentos futuros nesta busca de valorização da vida, para afastarmos de uma vez por todas a impunidade e conseqüentemente sua aliada fatal, a violência.
 
No caminho percorrido até aquela madrugada, contamos com o inestimável apoio de familiares, amigos, pessoas conhecidas ou não, profissionais da imprensa, que com o rigor que lhes é exigido de dizer somente a verdade, acompanharam o caso com a isenção precisa; além de membros da sociedade que se aliaram a nós em todos os momentos em que realizamos atividades para pedir apoio aos nossos objetivos; dos jurados que souberam entender a barbaridade cometida, e do Ministério Público, representado pelo também brilhante Promotor, Maurício Miranda e sua assistente de acusação e profissional  exemplar,  Dra. Magda Montenegro.
 
Nosso maior agradecimento é ao Glorioso Pai e à Boa Mãe que estiveram conosco em todos os instantes dando-nos a força necessária para não esmorecer um segundo sequer.

"Hoje é um novo dia de um novo tempo que começou..."

 

(LEIA A SENTENÇA)
 
SER MULHER EM TEMPOS DE GUERRA

 
 A batalha que temos travado todos os dias, no tempo limite do que somos obrigadas a encarar na convivência humana, só nos engrandece quando comparadas à mulheres célebres que mereceram o paraíso, como as operárias de uma fábrica de tecidos da cidade de Nova Iorque, nos Estados Unidos, que no dia 8 de março de1857, ao reivindicarem melhores condições de trabalho, foram trancadas na fábrica e incendiadas, ocasionando a morte de130 delas. Sua luta fez com que aquela data se transformasse em homenagem a todas as mulheres de bem.
 
Estamos atentas para o fato de que ainda vivemos num tempo em que a falta de bons exemplos, a incoerência nas falas, a indisciplina das ações, a ntolerância e outras mazelas da contemporaneidade nos cancerizam, onde "quimios e radios" já não surtem efeito e restam apenas "morfinas" para amenizar nossa dor cotidiana.
 
Quem há muito não lembra que é preciso prevenir para não ter que remediar quando o assunto é o que há de mais precioso: a vida humana? Toda violência de que é vítima a sociedade parece não ser suficiente para que providências objetivas sejam tomadas. A hipocrisia, tão bem representada por alguns membros das diversas classes de autoridades brasileiras, incapazes de se colocarem no lugar de qualquer mortal trabalhador decente (pois lhes falta capacidade para saber quanto custa ser honesto), está a cada dia ferindo de morte os inocentes, os justos. Esses senhores e senhoras, donos de diplomas eleitorais e/ou profissionais, que não honram seus cargos, deveriam ter seus títulos cassados pois matam tanto quanto assassinos em série, quando adoecem, enganam, engessam, roubam, incapacitam, acovardam e debilitam toda uma nação.
 
Chegou mais um dia 8 de março ...
Como tantas outras mulheres feridas, frustradas, agonizantes, preocupadas com o futuro do país, de filhos gerados, tão amados e muitos deles arrebatados de nosso convívio, de maneira cruel, sinto que a impunidade aniquila o Brasil e me pergunto: Até quando meu Deus teremos que suportar?
 
Mais um dia 8 de março em que mulheres do mundo inteiro são lembradas e homenageadas como seres que não param de lutar por causas verdadeiramente humanas, por vezes tão solitárias, a grande maioria abdicando da sua própria vida em favor do próximo, tamanha a capacidade de resignação, de sensibilidade, de superação, de força, de amor verdadeiro... 
 
Neste dia, e em todos os outros, elevemos nosso pensamento à Maria, nosssa Gloriosa Mãe, lembrando nestes tempos difíceis do seu exemplo sábio de determinação e coragem. Peçamos a ela que ouça nossa súplica, abençoando-nos com seu manto sagrado, fortalecendo-nos para que nossas ações dedicadas à paz se frutifiquem.                                                                                                                     
 
Com ternura,
 
Cristina Del'Isola
 
Quatro anos de Saudade

Mensagem da família de Maria Cláudia durante a missa realizada em sua intenção, na igreja de N. Sra. Do Perpétuo Socorro, no dia 9 de dezembro, às 20h00.

  

QUATRO ANOS DE SAUDADE

 

 

Há quem acredite que o tempo é o único remédio capaz de curar dores profundas que se refletem na alma.

Eu discordo. O tempo não cura, mas nos envolve, nos fortalece, nos ampara e nos oxigena, nos reeducando à vida, nos elevando a Deus.

Revendo nossas mensagens nas missas de primeiro, segundo e terceiro anos de saudade de Maria Cláudia, vemos que pouco mudou quanto ao sentimento; nada mudou quanto à memória de nossa filha, o que confirma a cada dia que o que fez e como agiu ecoa até hoje e acreditamos que para sempre.

O que mudou nestes anos sem a sua presença física foi a maneira de vermos as coisas, é como se fosse preciso a cada dia ressignificar o que achávamos que já sabíamos.

Educar o nosso olhar para interpretar as mensagens que vêm pelas formas mais diversas e que o sorriso e a simplicidade de Maria Cláudia nos inspiram a ver como aprendizado diário de superação e sobrevivência à sua falta.

Obrigada filha, pela herança atitudinal que nos deixou e que, seguramente, deve estar presenteando a todos no plano do Glorioso Pai Celestial.

Aos amigos, incansáveis no apoio diário, sob as mais diversas manifestações, o nosso eterno agradecimento.

 

 Cristina Del´Isola

 

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